O Império Khazar e a Décima Terceira Tribo.

Sem t  tulo 1 2 3 4 5 - Sem t  tulo 1 2 3 4 5

É muito interessante o estudo solitário da História. Existe muita coisa que deveria ser ensinada na escola, mas infelizmente, com a educação que temos hoje em nosso país, seria uma utopia. Fiz o meu primeiro e segundo graus e o inicio da minha primeira Faculdade no período ditatorial, onde muita coisa não interessava ser ensinada. Não que isto tenha mudado muito hoje em dia, continuamos sendo manobrados pelos poderes vigentes, segundo seus interesses. No entanto sou um fuçador, adoro fuçar, feito cachorro mesmo, descobrir coisas novas, polêmicas e que nos obriguem a exercitar nossos “Ticos e Tecos”.

Um dos passatempos que mais gosto, é passar longas horas em sebos, fuçando raridades. Às vezes saio da loja abarrotado de velharias que, para minhas pesquisas, se tornam informações valiosíssimas. Em outras ocasiões, saio com as mãos vazias e decepcionado, pois aqueles sebos que realmente vendem raridades, estão acabando, sendo substituídos por aqueles que só possuem livros populares e de grande rotatividade, normalmente coisa de baixa qualidade. Sempre que tenho chance de ir à Buenos Aires, adoro perambular pela República de Santelmo, lá sim, é o meu paraíso, ou conforme dizia o meu falecido pai: “ótimo lugar para quem gosta de velharias”.

Há uns 5 anos atrás, passando pela Augusta, me chamou atenção uma banca na calçada, expondo livros muito antigos. Todos estavam dispostos em pilhas, em cima de um banco comprido, daqueles que eu via muito em minha infância, em casas simples que possuíam mesas grandes, se você sentasse sozinho numa das pontas, arriscaria a virar o banco com o seu peso. Como a Augusta, na maioria de sua extensão é uma subida, o banco estava escorado em baixo de uma de suas pernas por um monte de livros antigos, no intuito de nivelar. Um deles me chamou a atenção. Seu título era “A Décima Terceira Tribo - O Império Khazar e sua Herança” de Arthur Koestler, 1976. Fiquei ardendo de curiosidade, visualizando de antemão, uma excelente linha de pesquisa. Perguntei ao vendedor o preço do livro apontando para o lugar onde o mesmo estava.

Visivelmente contrariado, e vendo que teria um trabalhão para retirar o livro debaixo do banco, o vendedor disse que não estava à venda. O livro estava em péssimo estado, sem as capas e com as páginas manchadas, porém intactas, sem nenhuma faltando. Infelizmente, paguei caro, pois o vendedor embutiu no preço o trabalho que teve para tirar o livro debaixo do banco. Trabalho demorado, tanto pela complexidade (retirar tudo de cima e depois arranjar outro livro velho para colocar no lugar) quanto pela má vontade do vendedor, se perguntado, o porquê, de tantos livros expostos em cima do banco, aparece um maluco querendo justamente uma coisa velha, que por pouco escapou do lixo. Paguei assim mesmo, a ansiedade e a curiosidade era enorme.

O livro tem uns 30 anos, em termos de livros raros, é considerado recente. Depois de fazer algumas pesquisas, vi que existe uma edição de 2005 chamada “OS KHAZARES”. Mesmo assim não me arrependi de ter adquirido o livro, ou o que sobrou dele.

O livro conta a história de um Império chamado Khazar, segundo o autor, era uma grande potência situada na Europa Oriental, na região do Cáucaso, convertendo-se ao Judaísmo em 740 DC. Considerados pelo autor como a terceira potência da época,os Khazarios ou Khazares não tinham uma vida muito sossegada, pois viviam espremidos entre os Muçulmanos e os Bizantinos, que se batiam para dominar o mundo de então. Este império originou-se de um aglomerado de tribos Caucasianas, unidas através de conquistas sucessivas. O Livro destaca um soberano chamado Bulam. Possuíam grande conhecimento tecnológico, dominando técnicas, dentre outras, a fabricação do mais puro vidro, e lapidação de pedras preciosas.

Ao final, foi conquistado por Gengis Khan, sendo completamente destruído. Arthur Koesler diz que várias evidências indicam que alguns Khazarianos conseguiram escapar da matança, indo para a Polônia e se transformaram na corrente Judaica dos Ashkenazim.

Existem basicamente duas correntes Judaicas da diáspora. Os Askhenazim, ou Askenazitas, são o Judeus originados do Norte da Europa, possuindo língua própria, o Idiche, que é, na minha opinião, um alemão modificado e escrito em caracteres hebraicos. Esta corrente é maioria no Brasil. A outra corrente é dos Sepharadis, ou Sefaraditas, são originados da região do Mediterrâneo, com predominância na Espanha e Portugal, seu idioma é o Ladino, um Espanhol modificado. Se alguém ficar curioso, existe uma cantora chamada Fortuna, bem conhecida, que faz shows e canta em ladino, seus CD´s são fáceis de encontrar em lojas especializadas em CD´s, não em supermercados. E existem os mestiços, como no meu caso, com um avô Askhenazim, casado com minha avó Sefaradita, embora haja um componente mineiro de Muriaé, do qual muito me orgulho.

Segundo o autor. “…nos anos de 1960, o número de Sepharadim era estimado em 500.000. Os Ashkenazim, no mesmo período, se contavam na casa dos 11 milhões. Com isso, em termos da concepção comum, um Judeu é praticamente sinônimo de Judeu Ashkenazim….”

A Segunda parte do livro é um estudo bastante detalhado da migração Judaica na Europa, Ásia e América.

Para os fuçadores, este autor publicou mais de 25 livros sobre o assunto, incluindo romances e pesquisas.

Shalom.

Aylton do Amaral www.ayltondoamaral.com

Deixe uma resposta.