Arquivo de Julho de 2009

O Pistis Sofia

Domingo, 26 de Julho de 2009

Pistis Sofia 1 - Pistis Sofia 1

Nesta oportunidade, falo do livro Pistis Sophia, que quer dizer “Fé de Sophia”, “Fé da Sabedoria” ou “Sabedoria da Fé”. Um livro bastante conhecido por Cabalistas, Ocultistas e principalmente estudantes do Gnosticismo. A História deste livro, como os outros que já descrevi, também é cheia de aventuras, lendas e estórias fantásticas.

Trata-se de um conjunto de pergaminhos, de origem desconhecida, atribuidos a Valentin Basilides e outros da escola gnóstica de Aexandria. Descoberto em Tebas em 1785, os estudiosos dizem que o documento original era escrito em Grego. Existem atualmente 5 cópias, que são datadas de um período entre 250 e 400 DC.

Uma outra teoria diz que um rabino israelense Jodachay Bilbakh apresentou a seus estudantes um texto chamado “O Evangelho de Pistis Sophia”, que foi traduzido do hebraico e circulou entre os membros da Fraternidade Jessênia no Brasil, em 2001, com comentários baseados principalmente na cabala.

O que diz este livro?

Trata-se de um texto complexo, ocorre no monte das oliveiras em 44 depois da morte de cristo, falando de diálogos do Jesus transfigurado, aos apóstolos (o ano de 44 foi o ano do Exilio de Maria Madalena para o Sul da França). Maria madalena é citada 150 vezes e Pedro 14 vezes. Uma das passagens fala que Jesus diz a Maria Madalena que:

“…teu coração esta mais dirigido ao reino dos céus que todos…”

Existem também muitas reclamações de Pedro sobre esta preferência. Relata também uma grande complexidade de hierarquias angelicais, celestes, ou seja, uma espécie de Organograma do céu. Existem diversas referências a este livro em escritos encontrados em Nag Hamadi (posteriormente escreverei um artigo sobre este local) e no Códice de Berlim. Em um papiro de Nag Hamadi existe um texto do Cristo transfigurado conforme segue:

“Novamente, seus discípulos disseram: Diga-nos claramente como eles desceram das invisibilidades, do imortal para o mundo que morre? O perfeito Salvador disse: O Filho do Homem entendeu-se com Sophia, sua consorte, e revelou uma grande luz andrógina. Seu nome masculino é designado ‘Salvador, progenitor de todas as coisas’. Seu nome feminino é designado ‘Todo-progenitora Sophia’. Alguns a chamam de ‘Pistis’.”

Por volta de 1840, foi feita uma tradução para o latim, e por volta de 1890, foi traduzido para Francês, Inglês e Alemão, mas devemos ter cuidado com estas traduções, pois existem diferenças de uma lingua para outra, seguindo o velho ditado “quem conta um conto aumenta um ponto”.

O Texto é dividido em três partes:

Na primeira, fala de Jesus depois de sua ressureição, quando conversava com seus apóstolos e sua elevação aos céus, em meio a indefectíveis trovões e relâmpagos, com luzes intensas, etc. Menciona que ocorreu na Lua cheia de Thebet, no calendário judaico (mais ou menos no mês de maio, no calendario Gregoriano). Este é um periodo do ano em que, até hoje, os Ocultistas consideram favorável para iniciações e contatos com o astral. Fala de seu retorno, trinta horas depois, “envolto em três vestes de luz”, já iniciado nos altos mistérios celestes onde ele explica de forma bastante complicada, a existência de entidades espirituais de nomes complexos. Numa das passagens ele diz:

, “A partir deste dia, vou falar-vos abertamente, desde o princípio da Verdade até o seu término; e vou falar, face a face, sem parábolas. A partir deste momento não vos esconderei nada do alto e do lugar da Verdade. Pois, autoridade me foi dada, por intermédio do Inefável e do Primeiro Mistério de todos os mistérios, para falar-vos, desde o Princípio até a Plenitude, tanto de dentro para fora como do exterior para o interior. Ouvi, portanto, para que vos possa dizer todas as coisas” .

As outras duas partes narram algumas instruções aos apóstolos, em diálogos, incluindo interpretações de caráter oculto de diversos trechos da bíblia e frases ditas em público por Jesus, e a explicação de alguns de seus mistérios, dentre eles o “Mito de Sofia”, são revelações feitas por Jesus sobre o processo de slavação da alma e a “Libertação do caos”.

Diz o livro que:

“Depois de diversos incidentes com as entidades dos planos inferiores, Jesus encontra Pistis Sophia abaixo do Décimo Terceiro Eon, seu lugar de origem. Ela estava sozinha, sem seu par e seus irmãos, triste e chorosa devido aos tormentos que o Autocentrado lhe havia infligido com a ajuda de suas emanações e dos doze eons”.

Segundo a Wikipedia:

“O mais bem conhecido dos cinco manuscritos da Pistis Sophia está amarrado com um outro texto gnóstico intitulado na encadernação “Piste Sophiea Cotice”. Este “Códice Askew” foi adquirido pelo Museu Britânico em 1795 de um certo Dr. Askew. Até a descoberta da Biblioteca de Nag Hamadi em 1945, o Códice Askew era um dos três códices que continha quase todos os escritos gnósticos que tinham sobrevivido a eliminação dessa literatura tanto no Leste quanto no Oeste, sendo os dois outros códices o Códice Bruce e o Códice de Berlim. A menos dessas fontes, tudo o que foi escrito sobre o Gnosticismo antes da Segunda Guerra Mundial é baseado em cotações, referências e inferências a partir dos escritos Patrísticos, dos inimigos do Gnosticismo, uma fonte nada neutra, onde as crenças gnósticas eram selecionadas para mostrar seus absurdos, seu comportamento bizarro e não ético e sua heresia o ponto de vista do Cristianismo Paulino ortodoxo.O texto proclama que Jesus permaneceu no mundo após a ressurreição por 11 anos e foi capaz nesse tempo de ensinar a seus discípulos até o primeiro (isto é, inicial) nível do mistério. Começa com uma alegoria fazendo um paralelo entre a morte e ressurreição de Jesus e decrevendo a descida e a ascensão da alma. Depois disso, ele prossegue descrevendo figuras importantes na cosmologia gnóstica e então, finalmente, lista 32 desejos carnais que devem ser superados antes que a salvação seja possível, sendo que a superação de todos os 32 constitui a salvação.”

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O Império Khazar e a Décima Terceira Tribo.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Sem t  tulo 1 2 3 4 5 - Sem t  tulo 1 2 3 4 5

É muito interessante o estudo solitário da História. Existe muita coisa que deveria ser ensinada na escola, mas infelizmente, com a educação que temos hoje em nosso país, seria uma utopia. Fiz o meu primeiro e segundo graus e o inicio da minha primeira Faculdade no período ditatorial, onde muita coisa não interessava ser ensinada. Não que isto tenha mudado muito hoje em dia, continuamos sendo manobrados pelos poderes vigentes, segundo seus interesses. No entanto sou um fuçador, adoro fuçar, feito cachorro mesmo, descobrir coisas novas, polêmicas e que nos obriguem a exercitar nossos “Ticos e Tecos”.

Um dos passatempos que mais gosto, é passar longas horas em sebos, fuçando raridades. Às vezes saio da loja abarrotado de velharias que, para minhas pesquisas, se tornam informações valiosíssimas. Em outras ocasiões, saio com as mãos vazias e decepcionado, pois aqueles sebos que realmente vendem raridades, estão acabando, sendo substituídos por aqueles que só possuem livros populares e de grande rotatividade, normalmente coisa de baixa qualidade. Sempre que tenho chance de ir à Buenos Aires, adoro perambular pela República de Santelmo, lá sim, é o meu paraíso, ou conforme dizia o meu falecido pai: “ótimo lugar para quem gosta de velharias”.

Há uns 5 anos atrás, passando pela Augusta, me chamou atenção uma banca na calçada, expondo livros muito antigos. Todos estavam dispostos em pilhas, em cima de um banco comprido, daqueles que eu via muito em minha infância, em casas simples que possuíam mesas grandes, se você sentasse sozinho numa das pontas, arriscaria a virar o banco com o seu peso. Como a Augusta, na maioria de sua extensão é uma subida, o banco estava escorado em baixo de uma de suas pernas por um monte de livros antigos, no intuito de nivelar. Um deles me chamou a atenção. Seu título era “A Décima Terceira Tribo - O Império Khazar e sua Herança” de Arthur Koestler, 1976. Fiquei ardendo de curiosidade, visualizando de antemão, uma excelente linha de pesquisa. Perguntei ao vendedor o preço do livro apontando para o lugar onde o mesmo estava.

Visivelmente contrariado, e vendo que teria um trabalhão para retirar o livro debaixo do banco, o vendedor disse que não estava à venda. O livro estava em péssimo estado, sem as capas e com as páginas manchadas, porém intactas, sem nenhuma faltando. Infelizmente, paguei caro, pois o vendedor embutiu no preço o trabalho que teve para tirar o livro debaixo do banco. Trabalho demorado, tanto pela complexidade (retirar tudo de cima e depois arranjar outro livro velho para colocar no lugar) quanto pela má vontade do vendedor, se perguntado, o porquê, de tantos livros expostos em cima do banco, aparece um maluco querendo justamente uma coisa velha, que por pouco escapou do lixo. Paguei assim mesmo, a ansiedade e a curiosidade era enorme.

O livro tem uns 30 anos, em termos de livros raros, é considerado recente. Depois de fazer algumas pesquisas, vi que existe uma edição de 2005 chamada “OS KHAZARES”. Mesmo assim não me arrependi de ter adquirido o livro, ou o que sobrou dele.

O livro conta a história de um Império chamado Khazar, segundo o autor, era uma grande potência situada na Europa Oriental, na região do Cáucaso, convertendo-se ao Judaísmo em 740 DC. Considerados pelo autor como a terceira potência da época,os Khazarios ou Khazares não tinham uma vida muito sossegada, pois viviam espremidos entre os Muçulmanos e os Bizantinos, que se batiam para dominar o mundo de então. Este império originou-se de um aglomerado de tribos Caucasianas, unidas através de conquistas sucessivas. O Livro destaca um soberano chamado Bulam. Possuíam grande conhecimento tecnológico, dominando técnicas, dentre outras, a fabricação do mais puro vidro, e lapidação de pedras preciosas.

Ao final, foi conquistado por Gengis Khan, sendo completamente destruído. Arthur Koesler diz que várias evidências indicam que alguns Khazarianos conseguiram escapar da matança, indo para a Polônia e se transformaram na corrente Judaica dos Ashkenazim.

Existem basicamente duas correntes Judaicas da diáspora. Os Askhenazim, ou Askenazitas, são o Judeus originados do Norte da Europa, possuindo língua própria, o Idiche, que é, na minha opinião, um alemão modificado e escrito em caracteres hebraicos. Esta corrente é maioria no Brasil. A outra corrente é dos Sepharadis, ou Sefaraditas, são originados da região do Mediterrâneo, com predominância na Espanha e Portugal, seu idioma é o Ladino, um Espanhol modificado. Se alguém ficar curioso, existe uma cantora chamada Fortuna, bem conhecida, que faz shows e canta em ladino, seus CD´s são fáceis de encontrar em lojas especializadas em CD´s, não em supermercados. E existem os mestiços, como no meu caso, com um avô Askhenazim, casado com minha avó Sefaradita, embora haja um componente mineiro de Muriaé, do qual muito me orgulho.

Segundo o autor. “…nos anos de 1960, o número de Sepharadim era estimado em 500.000. Os Ashkenazim, no mesmo período, se contavam na casa dos 11 milhões. Com isso, em termos da concepção comum, um Judeu é praticamente sinônimo de Judeu Ashkenazim….”

A Segunda parte do livro é um estudo bastante detalhado da migração Judaica na Europa, Ásia e América.

Para os fuçadores, este autor publicou mais de 25 livros sobre o assunto, incluindo romances e pesquisas.

Shalom.

Aylton do Amaral www.ayltondoamaral.com