O Catarismo
Depois dos livros de Dan Brown, muitos mitos se tornaram muito populares, ao ponto de alguns locais turísticos, antes visitados somente por alguns poucos, passaram a ser extremamente populares, como a Igreja de Saint Sulpice, a Catedral de Rosslyn, etc. O mais incrível foi a declaração dos religiosos de Saint Sulpice, reclamando das perguntas que alguns turistas faziam sobre o local da morte de alguns personagens do Livro Código Da Vinci, como se a estória fosse realmente verdadeira, tal a grande influência deste Best Seller nas pessoas.
Uma história extremamente interessante, rica em lendas e mitos, fala de um povo que vivia na Região de Languedoc-Roussillon, chamada carinhosamente como a “outra Provence”, no Sul da França, sobre o qual vou tentar fazer um breve resumo.
No final do Século XI nesta região, viviam os Cátaros, povo que falava uma língua diferente, meio Espanhol, meio Francês que tinha o nome de Langue D´oc, ou L´Occitane. As diferenças não param por aí, sua fé também era um pouquinho diferente. Os Cátaros eram cristãos e professavam a doutrina Cátara, que tinha algumas particularidades em relação a crença Católica vigente na época. O livro sagrado deles permanecia sendo o novo testamento, no entanto, Jesus Cristo não seria o filho de Deus, mas apenas um grande profeta. As cerimônias eram bem parecidas com a ceia original de Jesus, ou seja, a hóstia, no formato que conhecemos, não era usada, mas sim o pão repartido como na ceia original. A distinção entre sexos também não existia, numa idade média, onde a mulher não tinha direito nenhum, os Cátaros foram inovadores, as mulheres também celebravam as missas.
O leitor então pode deduzir a quantidade imensa de inimigos que este povo amealhou, principalmente da Igreja Católica, pois os Cátaros não reconheciam nem a autoridade do papa, nem dos Bispos. Eram divididos em três níveis: Os Perfeitos, os Crentes e os Ouvintes. Os perfeitos praticavam o celibato e ficavam sempre em oração e jejum e normalmente eram encarregados dos sermões. Os crentes eram a maioria, que apenas praticavam a religião, sem nenhuma obrigação de jejum, etc. Os ouvintes eram apenas pessoas que se simpatizavam com a religião, assistindo apenas aos sermões. A cosmogonia deste povo,era bastante interessante, pois, segundo eles, Deus não criou o mundo diretamente, sendo o mesmo uma espécie de lugar expiatório, e depois de sucessivas encarnações as pessoas poderiam atingir a perfeição e viver no paraíso. Acreditavam no livre arbítrio, tudo dependia de seus atos. O relacionamento com Deus era direto, e sem intermediários, ou seja, não haviam sacerdotes. O leitor aqui pode notar alguma semelhança com algumas crenças de hoje em dia, com o Espiritismo, com o Islamismo, etc.
Este povo foi também, alvo de muitas lendas, principalmente no que diz respeito ao Santo Graal, que em uma primeira versão, era uma taça onde Jesus Cristo bebeu vinho na Santa Ceia e que também foi utilizada para recolher o Sangue de Cristo durante sua crucificação.
A outra versão é de que o Santo Graal, como explicado no livro de Dan Brown era a corruptela de “Sang Real”, ou seja a suposta descendência de Jesus Cristo de seu casamento com Maria Madalena, pois segundo alguns autores, Maria Madalena foi viver naquela região depois da morte de Jesus, sendo a fundadora do Catarismo.
O Catarismo foi vítima de um dos grandes massacres da história, A Cruzada Albigense, que durou cerca de 40 anos e resultou na queima pela fogueira de quase todos os membros deste povo, extinguindo completamente esta rica cultura.
Hoje, nesta região, existem diversos vestígios desta passagem histórica, e das diversas lendas que cercam o local, onde diversos curiosos e estudiosos, fazem grande peregrinação a este local.