A Papisa (ou A Sacerdotisa)

22 de Janeiro de 2010

Papisa - Papisa
Continuando com a série sobre os arcanos do Tarot, neste artigo, falarei da Papisa, o Arcano da Sabedoria, da Gnose e do Princípio Receptivo

Analisando a lâmina, vemos uma mulher que está sentada e está com um livro aberto no seu colo, e uma tríplice coroa, parecida com a tríplice coroa usadas pelos Papas, durante sua coroação. Hoje em dia esta coroa não é mais usada, pelo menos pelos últimos 3 Papas, em uma tentativa de diminuir a ostentação da igreja. A personagem está olhando para o lado esquerdo, e veste uma túnica vermelha sob um manto azul e verde. Sobre seu ombros há um véu. Ao fundo vemos uma cortina. Uma coisa que os Tarólogos comentam muito é que esta figura ultrapassa a margem superior da lâmina. Esta característica só será encontrada no arcano XXI – O Mundo.

Existe uma lenda sobre este arcano, que fala da Papisa Joana, a única mulher que assumiu a posição de Papa da Igreja Católica.

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Segundo a Wikipedia: “A Papisa Joana teria sido a única mulher a governar a Igreja durante dois ou três anos, segundo uma lenda que circulou na Europa por vários séculos. A papisa Joana é considerada pela maioria dos historiadores modernos e estudiosos religiosos como fictícia, possivelmente originada em uma sátira anti-papal.”

Segundo René Guénon in Symboles Fondamentaux de la Science Sacrée, ela ficou grávida e ocultou a gravidez debaixo da vestes papais, no entanto, durante uma procissão, deu a luz, provocando a ira da população. Com a dramática descoberta do embuste, o enfurecido séquito papal teria assassinado Joana e seu filho. Antigas tradições romanas asseguram que, no lugar do homicídio, permaneceu durante séculos um túmulo ornado por seis letras P, que podiam ser lidas de três maneiras diferentes (jogando com a inicial comum a Papa, Pedro, pai e parto). Ainda com relação a essa lenda, deve-se assinalar um fato notável: na célebre Bíblia ilustrada alemã do ano de 1533, a grande prostituta do Apocalipse está representada com uma tiara na cabeça, A tradição afirma que foi desenhada deste modo por desejo expresso e sugestão de Martinho Lutero.

Existe, na história do Egito, uma mulher que se tornou Faraó, seu nome era Hatshepsut, que era retratada como homem, inclusive ostentando um cavanhaque cerimonial, indicativo da figura de um Faraó, assunto para outro artigo.

O Significado místico desta lâmina é bem complexo, A leitura da Papisa significa Sabedoria, Gnose, A Igreja Oculto, Reflexão, a Cabala, o Principio Feminino, Intuição, Piedade, Paciência e para os Astrólogos, a influência passiva de Saturno. Alguns tarólogos a interpretam como Reserva, discrição, silêncio, meditação, fé, confiança atenta. Paciência, sentimento religioso, resignação. Favorável às coisas ocultas. A Papisa é o principio feminino, mantido reprimido pelas religiões ocidentais e transformado em leis e costumes até o século passado, e que hoje está sendo liberado de forma lenta mas contínua. Não interpreto como sendo o feminismo radical que temos hoje, mas um equilíbrio com o princípio masculino como duas forças que se complementam sem que uma ou outra prevaleça como dominante.

Segundo René Guénon in Symboles Fondamentaux de la Science Sacrée, ela ficou grávida e ocultou a gravidez debaixo da vestes papais, no entanto, durante uma procissão, deu a luz, provocando a ira da população. Com a dramática descoberta do embuste, o enfurecido séquito papal teria assassinado Joana e seu filho. Antigas tradições romanas asseguram que, no lugar do homicídio, permaneceu durante séculos um túmulo ornado por seis letras P, que podiam ser lidas de três maneiras diferentes (jogando com a inicial comum a Papa, Pedro, pai e parto). Ainda com relação a essa lenda, deve-se assinalar um fato notável: na célebre Bíblia ilustrada alemã do ano de 1533, a grande prostituta do Apocalipse está representada com uma tiara na cabeça, A tradição afirma que foi desenhada deste modo por desejo expresso e sugestão de Martinho Lutero.

Existe, na história do Egito, uma mulher que se tornou Faraó, seu nome era Hatshepsut, que era retratada como homem, inclusive ostentando um cavanhaque cerimonial, indicativo da figura de um Faraó, assunto para outro artigo.

O Significado místico desta lâmina é bem complexo, A leitura da Papisa significa Sabedoria, Gnose, A Igreja Oculto, Reflexão, a Cabala, o Principio Feminino, Intuição, Piedade, Paciência e para os Astrólogos, a influência passiva de Saturno. Alguns tarólogos a interpretam como Reserva, discrição, silêncio, meditação, fé, confiança atenta. Paciência, sentimento religioso, resignação. Favorável às coisas ocultas. A Papisa é o principio feminino, mantido reprimido pelas religiões ocidentais e transformado em leis e costumes até o século passado, e que hoje está sendo liberado de forma lenta mas contínua. Não interpreto como sendo o feminismo radical que temos hoje, mas um equilíbrio com o princípio masculino como duas forças que se complementam sem que uma ou outra prevaleça como dominante.

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A Biblia do Diabo

4 de Janeiro de 2010

Peço licença a todos para interromper minha série sobre o Tarot, terminei minha pesquisa sobre mais um livro misterioso e gostaria de compartilhar um resumo com vocês. Muitos me perguntam se não tenho mais nada a fazer a não ser escarafunchar velharias. Respondo que sim, é a melhor coisa do mundo a se fazer, principalmente pela aura de mistério que cada um deles nos traz.

O em pauta, mede quase 1 metro de comprimento, pesa uns 90 quilos e tem mais de 600 páginas em pergaminho (pele de asno), capa e contracapa, de madeira, forradas com couro curtido e enfeitadas com cantoneiras de latão com entalhes. Atualmente está exposto na National Library, em Estocolmo.

Seu nome oficial é “Código Giga”. Segundo alguns, foi feito em um mosteiro da Boêmia a partir do século XIII. Chegaram até a querer declará-lo como uma das maravilhas do mundo. Felizmente desistiram.

A razão da existência deste livro dá origem a várias lendas. A mais conhecida delas é de que o livro teria sido escrito por um monge, que como punição aos seus pecados, iria ser emparedado e deixado ali até a morte. No desespero, ele fez um acordo com os superiores do mosteiro, prometendo escrever um livro em um período de uma noite. No entanto, percebendo que não iria conseguir, fez um pacto com o diabo, sendo atendido e se livrado da cruel pena, razão pela qual, várias pessoas consideram o seu texto amaldiçoado. É uma relíquia raríssima, estimam que vale em torno de 15 milhões de Euros. Tem que ser alguém corajoso para adquiri-lo, pois o Codex Giga tem fama de atrair má sorte para quem o possui, provocando infortúnio e morte. Existem várias lendas narrando o destino de alguns proprietários.

Outro fato intriga os estudiosos: faltam sete páginas no volume; páginas que, dizem, continham um segredo muito antigo.

Sua página mais famosa, contém um grande desenho de um diabo, razão de seu nome mais conhecido. A imagem é precedida por uma conjuração por meio do qual é possível comunicar-se com espíritos, entidades demoníacas e um encantamento para comandar essas criaturas.

118v - 118v

Como o leitor pode notar na figura, não é tão assustador assim. Hoje em dia, os diabos são infinitamente piores, mais organizados, são certificados e seguem padrões ISO, Itil, Six Sigma, SOx e outras sopas de letrinhas. No entanto, se nos situarmos na idade média, onde a igreja detinha o poder das mentes e dos corações do mundo ocidental, este desenho tinha muito significado e tirava o sono de muita gente.
Escrito em latim, o Livro Gigante contém uma versão do Antigo e do Novo Testamentos e não constam os Atos Apostólos e o Apocalipse. Depois da Bíblia, vem uma transcrição da Etymologiae enciclopédia de Isidore de Seville, que consiste em um resumo do conhecimento das ciências da época, incluindo a idéia da esfericidade da Terra, o que, para muitos o tornou realmente demoníaco.
Também estão no Livro: uma cópia de Antiquities of The Jews [Antiguidades Judaicas] e Jewish Wars [Guerras Judaicas], do escritor Flavio Josefo, que viveu nos anos 90 d.C. e narrou diversas passagens importantes do cristianismo e judaísmo. Possui também, uma versão dos Hebrew Books [escrituras hebraicas]; uma cópia de Chronicle of Bohemia de Cosmas de Pragye [1045-1125], padre boêmio.

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Codex Gigas devil - Codex Gigas devil

O mago

29 de Novembro de 2009

imagem1 - imagem1

O primeiro arcano do tarot é o Mago. Muitos especialistas dizem que o mago é o “dono” do Tarot, por isto recomendam guardar as cartas sempre com O Mago sendo a primeira carta, em cima. É representado por um garoto, talvez adolescente. Tendo em vista que terá um longo caminho a percorrer, está refletindo, como iniciará a jornada. Na maioria das representações, está em frente a uma mesa, e sobre sua cabeça está um chapéu estilizado, que muitos dizem que é o símbolo do infinito. Em algumas representações, existe, ao invés de um chapéu, o próprio símbolo do infinito, que representa as inúmeras possibilidades e oportunidades que tem à sua frente. Como cada carta tem uma letra hebraica correspondente, o mago têm a letra Aleph.

Aleph - Aleph

Na cabala, Esta letra foi retirada do simbolismo do “boi” e o seu desenho parece uma cabeça de boi com chifres, (estilizado, claro). Esta letra não tem som.

Segundo a Academia de Cabala: “O alfabeto hebraico é o único a começar por um silêncio, Aleph é a representação do equilíbrio perfeito. Mesmo que o Aleph seja audível, o Sêfer Bahir diz que “a orelha é feita à imagem do Aleph, ele é o essencial dos dez comandos”. Esta letra significa os mundos de antes e de após a criação, as palavras unidade (Echad) e amor (Ahavá) começam pela letra Aleph, que representa a permanência da unicidade. A tradução da palavra “eu” em hebraico é “ani”, já “você” – ou seja, o outro – é “atá”. Ambas as palavras se iniciam com a letra Aleph quando escritas em hebraico. Isso quer dizer que você e eu somos um, ligados à mesma origem, se bem que diferentes no aspecto. Aleph é o ponto de partida de tudo.”

Em algumas representações, como no Tarot de Oswald Wirth, a letra aparece na carta, mas na representação acima, do Tarot de Marselha, normalmente não aparece.

Na mesa à sua frente, podemos ver alguns objetos, que representam nossas escolhas no nosso dia a dia, dos quais podemos destacar:

Um copo: Representa as emoções, o amor, o ódio, etc.
Um punhal: Representa a luta e nossa vontade de conquistar, a energia sexual.
As Moedas: O nosso lado material.
Os dados: Representam o imponderável, aquilo que não podemos controlar.
Em algumas representações há um pergaminho com a imagem de um pentagrama que representa nossa inteligência.

Está pedindo ajuda do alto para ajudá-lo na caminhada que se inicia, por isto está levantando um bastão, que representa a vontade e a sabedoria, captando energia superior e encaminhando-a para baixo, com a outra mão.

Costumamos ver muito esta posição durante a dança dos Dervixes. Os Dervixes são monges muçulmanos, que normalmente vivem de forma nômade e de abnegação, inclusive jurando votos de pobreza, castidade e humildade. Eles costumam se reunir em rituais de dança chamadas Sema ou Samá, que fazem parte da tradição Sufi (mais informações leiam “O Profeta” de Khalil Gibran). Só quem já viu, como eu, pode descrever o quão sagrado é este ritual. Os dervixes entram em transe e executam danças giratórias durante horas, sem aparentar nenhuma tontura, com uma das mãos para cima e outra para baixo, fazendo o mesmo papel do Mago do Tarot. Recomenda que vejam este espetáculo que, para eles simboliza a conquista do equilíbrio mental, vitória sobre nossas vaidades, e uma comunhão sem igual com o nosso planeta e a natureza, consequentemente encontrando o auto-conhecimento. Infelizmente estão abrindo demais a visita de turistas para estes rituais, o que, em minha opinião, com o tempo pode virar uma pantomima para agradar turistas..

Voltando ao nosso mago. Os jogadores de Tarot dizem que, quando aparece O mago, é extremamente difícil interpretá-lo, na maioria das vezes interpretam que o consulente está em uma fase inicial de um caminho que precisa escolher como irá realizar esta caminhada. Normalmente um consulente quando vai a uma consulta de Tarot (as vezes paga caro por isto) quer uma definição, quer respostas imediatas, trazendo dificuldades ao jogador de Tarot. Normalmente o jogador compõe com as outras cartas já tiradas para atender ao consulente.

Infelizmente a grande maioria das pessoas interpretam o Tarot como sendo um jogo divinatório, distorcendo as mensagens que cada arcano traz.

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1 - As Origens do Tarot

19 de Outubro de 2009

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Começarei aqui, uma série de artigos onde procurarei explicar as origens do Tarot, que, além de jogo de adivinhação, está intrinsecamente ligado ao nosso jogo do baralho atual. As origens do Tarot também são envoltas no mais brumoso mistério. Existem diversos autores com diversas teorias, mas nunca algo palpável cientificamente, infelizmente.

Um grande irmão, ao qual tenho muito apreço e respeito muito suas idéias, diz que quase tudo que conhecemos originou-se do Egito, para ele a Maçonaria e todas as ordens iniciáticas que conhecemos tem sua origem, ou inspirou-se nesta grande civilização, assim como o Tarot. Ele afirma categoricamente que o Tarot original tinha sido escrito em folhas de ouro num templo em Mênphis. No entanto existem diversos teóricos que dão como origem a China e a Índia e que as cartas foram trazidas pelos ciganos para a Europa, está aí um grande assunto para pessoas, que como eu, gostam de estudar o oculto.

Segundo este mesmo irmão (o que diz que tudo vem do Egito); o nome “Gipsy” dado aos ciganos por algumas línguas, é uma corruptela de “Egipcio”, pois segundo ele, os ciganos também são originários do Egito, mas isto é assunto que fica para outra oportunidade.

Os grandes divulgadores do Tarot na Europa, foram os Cruzados, mais específicamente, os Cavaleiros Templários, que baseado em seus estudos, tinham grande conhecimento do significado hermético das figuras, e que as utilizavam como ferramenta de auto-conhecimento. Um grande estudioso Templário afirmava que os símbolos do Tarot eram a chave do conhecimento que foi perdido durante os incêndios e saques da Biblioteca de Alexandria.

Nas cartas do Tarot existem símbolos que, representam segredos da chave da natureza humana e que influenciaram, ou sofreram influencia das religiões gregas, filosofias árabes, Indianas, e até mesmo a Cabala Judaica. Existem diversas versões, dentre as quais posso destacar, o Tarot de Oswald Wirth, o próprio Aleister Crowley, o Tarô Cigano, e milhares (sim amigos, milhares) de outras versões espalhadas por aí, por aqueles que se intitulam os “Gurus” do momento. Pessoalmente, como fonte de estudo, gosto do Tarot de Marselha Original, e de Oswald Wirth, que além de relacionamento com a Cabala, possuem os desenhos parecidos na medida do possível com os originais.

O Tarot de Marselha surgiu no final do século XVI, obtendo muito sucesso, especialmente aqueles que eram pintados a por grandes artistas. Estes jogos eram de propriedade das famílias mais ilustres da Europa, principalmente na Itália, berço dos grandes incentivadores da arte como os Sforza, os Bórgia, e vários outros. Esta versão de Tarot, teve uma grande influência sobre muitos jogos que surgiram nos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX, época especialmente apaixonada pelo oculto na qual se deu um grande incremento.

Segundo Maria Helena Martins, “o Tarot adquiriu uma forma mais manuseável e mais sólida quando B.P. GRIMAUD lhe fez algumas alterações, sem alterar as suas qualidades intrínsecas. Os cantos tornaram-se mais redondos e as cores mais vivas passando a haver um claro predomínio do AZUL e do VERMELHO. Paul MARTEAU, o grande mestre das cartas em França, traduziu em 1930, com grande rigor, toda a simbologia do TAROT de MARSELHA e fixou as tonalidades definitivas das cores que permanecem até hoje.”

Sobre as cartas de jogar, autores afirmam que tiveram inicio através do Tarot dos Sarracenos que migravam para a Espanha, e lá, passaram a se chamar “Naib”, que posteriormente se transformou em “Naipe”, como conhecemos hoje, embora outros digam que tenha surgido da palavra Flamenga “Knaep” que significava “papel”. Existem também, outros vestígios de que o seu uso como carta de jogar, também difundiu-se na França.

O Tarot, basicamente é Dividido em duas seções, as 22 cartas dos arcanos maiores, que segundo aquele meu irmão, representam os líderes temporais e espirituais do Egito antigo. As outras cinqüenta, que são os arcanos menores, divididos em 4 naipes, representam as quatro classes da sociedade do Egito Antigo, que ficavam assim representadas.

Espadas: Classe guerreira;
Copas: A Classe sacerdotal;
Paus: Os Agricultores;
Ouros: Os Comerciantes.

Dizem também que jogo de xadrez contribuiu fortemente para que o Tarot, de cartas divinatórias se transformassem no baralho que conhecemos hoje, se não levarmos em conta a torre e o cavalo. Se olharmos para as cartas veremos que, com exceção das torres, há o Rei a Rainha, dois Valetes e os números de cartas equivalentes ao dos peões. Acredita-se que o uso das quatro cores, assim como de Moedas, Taças, Espadas e Paus tenha surgido no século XIV, pelo costume da época de se jogar xadrez a quatro pessoas.

No Museu de Paris, encontra-se o jogo de cartas mais antigo que se conhece, que foi utilizado por Carlos VI de França. Pensa-se que tenha sido encomendado a Jacques Gringonneur que era astrólogo e cabalista. Durante muito tempo pensava-se que pertenciam a este baralho dezessete cartas pintadas sobre velino debruadas a ouro e pintadas a prata, lápis – lazúli e com um pigmento vermelho escuro denominado como (pó de múmia). Atualmente, acredita-se que são italianas e de manufactura mais tardia.

Um dos mais belos jogos de cartas pertenceu a Duce Filippo Maria Viscont e data de 1392, pelo qual pagou mil e quinhentos florins de ouro ao seu secretário, o sábio e pintor Marziano da Tortona. Existem ainda hoje sessenta e sete cartas originais deste jogo muito antigo.

Com o passar do tempo, a apresentação dos emblemas e dos desenhos das cartas alterou-se. Desde que se começou a jogar, o baralho foi composto por vinte e duas cartas, e quatro séries de cores, cada uma delas contendo quatorze cartas.

Na minha humilde opinião, o Tarot não passa de uma grande quantidade de símbolos herméticos, que de alguma forma, se coadunam com a psicologia humana, principalmente se estudarmos Jung e a Cabala. Se olharmos para as imagens do Tarot e conhecermos cada um dos seus arcanos, podemos ver nitidamente as mais diversas nuances do que Jung afirma como sendo nossos arquétipos. Se olharmos pelo ponto de vista histórico, poderemos desvendar muitos dos aspectos ocultos da humanidade, e mensagens que os antigos nos deixaram. Quanto a seu poder divinatório, sinto muito, não creio. O que creio é que, segundo Jung, o Inconsciente coletivo trabalha sempre para nos levar à algum destino, que talvez possa até ser avisado nos arcanos como tendências, assunto complexo, que fica para outro artigo. De qualquer forma, o Tarot não tem o poder de influenciar os acontecimentos.

Somos inteiramente responsáveis pelas nossas decisões, nunca devemos esquecer de que toda a ação leva a uma reação.

Nos próximos artigos, falarei de cada um dos arcanos, começando com “O Louco”.

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Brevemente: “O Enigma de Sagres”

As Ervas de Poder

28 de Setembro de 2009

Relutei muito em publicar este artigo. A razão principal foi por temor de ser mal interpretado, principalmente no Brasil, onde, em minha opinião, os últimos tempos tem se caracterizado por censura velada e hipocrisia.

Não me considero um místico, no sentido de que um místico crê na existência de certas dimensões ou de criaturas intangíveis. Não quero de forma nenhuma entrar no mérito da existência ou não destes paraísos, nirvanas, planos espirituais, Valhallas, ou qualquer outro ser ou lugar que a literatura mística afirma que existe. Tenho uma definição própria de mim mesmo como uma pessoa em eterna experimentação, pois vivo testando de tudo. Quem sabe um dia eu chego à conclusão de que isto tudo seja uma tremenda bobagem, ou então, para júbilo dos crentes, seja a mais pura verdade.

Me baseio na afirmação de que “Yo no creo em brujas pero que han…” ou seja, eu não creio em bruxas, mas que elas existem, existem. Gosto muito de estudar o assunto, por razões que não sei ou não quero explicar. Talvez, no íntimo eu queira mesmo acreditar que tais coisas existem, mas até agora não obtive nenhuma prova, razão de minha eterna busca. Às vezes me dou bem, às vezes quebro a cara, mas sempre vejo como parte de meu aprendizado.

Normalmente, um místico procura ter contato com estas dimensões ou seres, através de diversas técnicas, sejam elas meditação, seja com o uso da chamada mediunidade, ou seja utilizando-se de coadjuvantes químicos para auxiliar neste contato e até mesmo se suicidando, como no caso de uma seita que, anos atrás todos os seus membros resolveram se suicidar com o intuito de se encontrar com seres extra terrestres que viviam em um plano divino, cuja nave estaria se aproximando de nosso planeta, cada louco com sua respeitável loucura.

Neste artigo vou abordar algumas técnicas muito antigas de encontro com o divino através do uso de certos vegetais.

Não estou falando destas drogas que conhecemos por aí, tipo maconha, cocaína, LSD e outros lixos, que conseguem apenas nos trazer sensações benignas de poderes artificiais e tem como principal sentido, nos escravizar e nos controlar para sempre, além de abastecer a criminalidade, a corrupção e quase todas as mazelas modernas de nossa sociedade, com dinheiro imundo vindo da mão de escravos, portanto, este artigo NÃO é uma apologia às drogas.

As ervas de poder, que menciono neste artigo, são determinadas misturas de ervas, utilizadas por Índios, Xamãs, curandeiros e místicos desde milênios atrás, com o propósito de realizar curas, sejam elas materiais ou espirituais, estas ervas tem como sua principal característica, o fato de não provocar dependência, tanto assim que são permitidas por lei, desde que sejam utilizadas em rituais religiosos e sob severa supervisão. Quero deixar bem claro, que a venda das mesmas é também é proibida. Estas ervas provocam um estado alterado de consciência, e a partir daí, dizem os místicos, poderemos alcançar dimensões jamais vistas por quem vive apenas no nosso mundo material.

Gosto de ver para crer, como todo grande discípulo de São Tomé, além disto, tenho uma vontade inata de buscar o divino, que infelizmente nunca encontrei. Motivo pelo qual me propus a experimentar algumas delas.

Quais são as Ervas de poder que e conheço?

Existem diversos tipos, Ayahuasca, Datura (estramônio), Peyote (Mescalito), São Pedro, outros Cactos e Cogumelos. Para não alongar muito, neste artigo, comentarei apenas a Ayahuasca e a Datura. Se houver interesse dos leitores, poderei comentar sobre as outras em artigos subseqüentes.

Ayahuasca:

O Ayahuasca, também conhecido pelo próprio nome de “Santo Daime”, é basicamente a mistura de duas plantas, a Chacrona, planta arbustiva que contém um elemento chamado dimetiltriptamina, que é o elemento responsável pelo estado de consciência alterada, também chamado de “Miração” pelos praticantes do Santo Daime. No entanto, a dimetiltriptamina quando ingerida pura, não faz efeito sozinha, porque é bloqueada pelo nosso organismo. Aí é que entra em cena o segundo componente que é um cipó chamado de Caapi, Ayubi, ou outros nomes, que neutraliza estas defesas, deixando a dimetiltriptamina agir. Esta mistura é preparada de forma ritual e submetida a um cozimento de horas de duração. Extrai-se então uma beberragem de cor amarronzada, gosto ligeiramente amargo e consistente.

Largamente utilizada pelos índios da Amazônia, e por praticantes de um culto chamado “Santo Daime”, fundado por Raimundo Irineu Serra, também conhecido como Mestre Irineu (veja sua história em http://www.santodaime.org/doutrina/oquee.htm)

A minha experiência com esta bebida deu-se anos atrás em Belém do Pará em uma cerimônia do Santo Daime. Convidado por um amigo, eu estava dividido entre o pavor e a vontade de conhecer algo novo. Lá fui eu, cujo pavor foi vencido pela curiosidade.
A descrição do ritual necessita de mais um artigo, talvez até um livro só para falar dele, as pessoas entoam cânticos, dançando todas juntas em um passo, que por si só já me levaria ao enlevo e a alteração de consciência. O que me espantou, foi que, mesmo crianças bebem do Santo Daime.

Ao experimentar a bebida, a princípio achei que era tremenda conversa fiada, e conversei normalmente com as pessoas que estavam do meu lado, ao mesmo tempo, estava acompanhando os demais naqueles passos de dança. Após mais ou menos umas 2 horas, meu estomago começou a se revoltar, e vomitei profusamente uma massa preta, horrível. Após a experiência, conversei com meu amigo, que me falou da massa preta que vomitei, segundo ele, faz parte de uma limpeza física que a Ayahuasca faz no organismo. Desdenhei a Ayahuasca, dizendo que não senti absolutamente nada e que estava conversando normalmente com algumas pessoas que estavam do meu lado. Ao que meu amigo rindo responde:

- Cara, não tinha ninguém do seu lado, você estava sozinho em um canto separado, apenas com um amparador, pois você não pertencia ao grupo.
Alucinação ? Conversa com espíritos ? Deixo as conclusões ao leitor.

Datura:

Mais conhecida como “Erva do Bruxo”, comentada por Carlos Castañeda em seu livro “A Erva do Diabo”, é uma flor que existe muito por aí. Dela são extraídas suas folhas e fervidas em um caldeirão. No livro “A erva do diabo” de Carlos Castañeda, foram suas raízes que foram utilizadas na infusão. Aqui no Brasil, é usado também em rituais de Bruxaria. Minha experiência com esta beberragem foi muito ruim. Após ingerir um líquido esbranquiçado, ralo e sem gosto nenhum, imediatamente secou toda a minha boca e atingiu o que tenho de pior, ou seja, minha ansiedade, que foi tão exacerbada, que fiquei horas andando em círculos, numa procura incessante por água, sem porém nunca achá-la, embora a mesma estivesse na minha frente, uma angústia inesquecível. Todos os meus sentidos ficaram suspensos, as feições das pessoas estavam borradas, e minha noção de espaço ficava extremamente alterada, ou seja, não tinha chão, e nem paredes, pois eu sempre achava que elas ficavam uns 30 cm mais a frente de onde realmente estavam. Seu efeito é cumulativo, pois durante uma semana eu fechava os olhos e ficava vendo padrões parecidos com aqueles desenhados em cerâmica Marajoara, efeito diferente da Ayahuasca, que após o vômito cessa imediatamente o efeito. Fiquei plenamente consciente de tudo o que estava acontecendo o que prolongou meu sofrimento. Não tive nenhuma alucinação. Segundo alguns Mestres em Xamanismo, a Datura é a Erva do Bruxo, onde só os naturalmente bruxos têm experiências dignas de nota, vêm deuses, etc.

Definitivamente não sou Bruxo.

Posteriormente, conversando com um velhinho 33, um dos meus grandes gurus, eu soube do risco desta minha experiência. Para que as pessoas usem antes a Datura, os amparadores, ou os líderes ritualísticos, têm que ter bastante conhecimento e serem realmente mestres na sua religião ou seita, pois corri sério risco de ter agravada a minha ansiedade, além de ter iniciado outros distúrbios que porventura estivessem latentes.

É o risco para quem vive em constante experimentação.

Existem muitos charlatões por aí, principalmente na Internet, portanto, se o leitor quiser ter alguma experiência deste tipo, sugiro ler bastante, se informar muito a respeito, ou procurar o Santo Daime, pois lá eles sabem como lidar e tomar conta de você. Procurem checar e re-checar a idoneidade dos locais, através de pessoas que já freqüentaram, ou fontes consideradas fidedignas.

Para ser politicamente correto, vou repetir as frases abaixo, infelizmente não tenho fundo azul com letras brancas, para reproduzir:

“Nunca tente isto em casa…blá…..blá….blá….”

“A literatura médica desaconselha o uso destas beberragens por pessoas com distúrbios mentais, ansiosas, deprimidas, ou com algum tipo de psicose ou Esquisofrenia.”
Uma boa leitura, para os que porventura estiverem interessados em conhecer mais deste assunto, recomendo como livro inicial “A Erva do Diabo” de Carlos Catañeda.

Lembrem-se:

“Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.”

Gengis Khan

7 de Setembro de 2009

Genghis Khan - Genghis Khan

O Império Mongol, foi considerado um dos maiores impérios da história. Teve seu ápice, quando foi liderado por uma personalidade digna de nota, que chamava-se Gengis Khan. Na realidade, Gengis Khan nasceu com o nome de Temudjin. Seu nascimento é cercado de diversas lendas xamânicas, uma delas fala sobre a vinda de um lobo cinzento que devoraria toda a terra.

Temudjin nasceu em 1162 em uma aldeia nas margens de um rio chamado Onon na região que hoje é conhecida como Mongólia. Seu pai chamava-se Yesugei, era um líder do Clã Bojigin, figura respeitadíssima entre os líderes mongóis. Nesta época, os Mongóis eram cavaleiros exímios e eram divididos em diversas tribos que aglutinavam um Clã, e as vezes um Clã englobava diversas tribos. Essas tribos de guerreiros possuíam seus “Cãs”, que eram seus líderes, que chegavam á sua posição de forma violenta, através de assassinatos ou lutas.

O pai de Temudjin foi envenenado por membros da tribo dos Tártaros. Neste período, Temudjin tinha mais ou menos uns 10 anos de idade, e por pertencer á família do líder perdedor, ele foi abandonado á sua própria sorte juntamente com sua família, indo viver nas estepes inóspitas daquela região, sem seus bens, que eram gado, e principalmente cavalos, pois, na época, o cavalo fazia parte integrante da cultura Mongol. Um mongol, dizia-se, tinha tanta afinidade com o seu cavalo, que consideravam parte do seu próprio corpo.

Yesugei, seu pai, era muito estimado pelas tribos vizinhas, elas doavam víveres e ajudaram Temudjin a crescer e treinar para ser um guerreiro, principalmente como arqueiro montado.
Os mongóis tinham uma habilidade especial. Durante as batalhas, em pleno galope, em cima de seu cavalo, um arqueiro, virava todo o corpo para trás, montando ao contrário, e atirando flechas após passar a carga da cavalaria, quando o inimigo menos esperava. O Arco Mongol tinha um alcance de 500 metros, com uma incrível precisão que deixava os inimigos totalmente perdidos.

Com o tempo, graças às suas habilidades de liderança, herdadas pelo pai, Temudjin se fez chefe de diversas tribos, e assumiu o nome de Gengis Khan, cuja tradução seria algo como “Supremo Líder”, ou “Cã dos Cãs”. Empreendeu uma campanha contra a tribo Merkit, que teria raptado sua noiva Boerte. Gengis Khan teria atacado os guerreiros Merkit um a um e derrotado todo o clã. Tomou Boerte de volta, e ao seu lado viveria até o fim.

Por volta de 1205, Gengis Khan, depois de ter pacificado as tribos que lutavam entre si, e com seu prestígio em alta, Gengis Khan unificou os Mongóis, criando um estado Mongol, e um exército poderoso, que o permitiu então, partir para suas conquistas. Um gênio militar, Khan usava a sua cavalaria de forma inédita.

A cavalaria era usada como ponta de lança nos ataques, protegendo a infantaria, da mesma forma como os tanques foram utilizados na segunda guerra mundial, pelo General George Patton, um estudioso da história dos Mongóis. Foi criador da estratégia de cerco a fortificações partindo das campinas. Séculos mais tarde, Mao-Tsé-Tung utilizou este mesmo princípio para dominar a China.

Depois de unificar toda a Região da Mongólia, Gengis Khan invadiu a China, atravessando a até então inexpugnável Grande Muralha da China, e tomando Pequim. Não satisfeito, invadiu diversos países Muçulmanos. Seu império começava no Cáucaso, passando pelo Rio Indo, Pequim e Mar Cáspio.

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O seu ocaso começou, quando ele teve que voltar às estepes Mongóis, para conter uma revolta do líder de tribo chamado HsiHsia. Após vencer o revoltoso, Gengis Khan foi acometido de uma febre alta e veio a falecer.

Dizem algumas estórias locais que todos os guerreiros e construtores de tumbas envolvidos no enterro de Gengis Khan foram mortos para manter em segredo o local onde ele foi enterrado. E esse local realmente jamais foi encontrado.

Antes de sua morte Gengis Khan nomeou seu filho, chamado Ogedei, e deu-lhe a missão de expandir ao máximo o território já conquistado pelo seu pai, que chegou até a Hungria. Ogedei não tinha o mesmo tino de liderança do pai, e dividiu o território entre seus filhos, que também não tinham a mesma capacidade de Gengis Khan. Estes impérios tiveram curta duração.

Hoje em dia, Gengis Khan é considerado o pai do país chamado de Mongólia, e os mongóis o cultuam, quase como um Deus.

Existem diversos bons livros que falam de Gengis Khan, mas eu indico o livro “Gengis Khan” de Michel Hoang.

O Bhagavad Gita

14 de Agosto de 2009

Gita - Gita

Todos nós vemos novela, mesmo quem não gosta, de certa forma é até obrigado vez por outra, a assisti-las, pois tem sempre um membro da família que as acompanha assiduamente e acaba mesmo por osmose, se inteirando. Detesto novela, mas preciso me atualizar com os bordões, para que tenha alguma coisa para falar no que eu chamo de “conversa fiada de esquina”, que, embora eu não goste, fazem parte do convívio social. Isto inclui futebol, outro assunto que abomino, mas, pelo menos procuro saber dos resultados das partidas, assim não fico tão por fora assim das coisas e “faço o social”.

Tempos atrás, numa dessas conversas, alguém, exclamou algo como “Hare Baba”, e se eu não assistisse novela, ficaria espantado, pois esta exclamação apenas ocorre em alguns lugares da Índia e eu acharia que meu interlocutor fosse uma pessoa viajada. Como assisto alguns capítulos de vez em quando, sei que tais exclamações são “bordões de novela”.

Acho interessantes as novelas, mudam os cenários, mudam os temas, no entanto, o miolo do roteiro é sempre o mesmo, o filho que descobre no final quem é o seu verdadeiro pai, a namoradinha que vive a novela inteira atrás do seu grande amor e quando finalmente eles começam a viver felizes, acaba a novela, ou seja, as novelas só mostram o sofrimento, a parte ruim, e quando a coisa começa a correr bem para todos, …. The End.

Pouco tempo atrás, cheguei em casa e todos estavam assistindo novela. Sem saber do assunto da novela, fiz uma experiência, que certa vez pessoas do meu convívio me sugeriram fazer. Perguntei:
Ele já sabe quem é o pai?

Já descobriram quem é o assassino?
Ela já encontrou com o cara que ela gosta?
E assim por diante.

Todas as perguntas que eu fiz, geraram respostas animadas, e todos achavam que eu estava mesmo acompanhando a novela. Na realidade posso fazer estas perguntas para todas as outras que passam em horários diferentes e canais diferentes, e mesmo sem assistir nenhuma, todos me chamarão de “noveleiro”. Experimentem isto, é bem interessante.

Esta novela, que está “bombando” no momento, fala da índia, narra uma Índia bem diferente da Índia que conheci. Se pudéssemos visitar a Índia de uns 50 anos atrás, teríamos a situação atual daquelas famílias Indianas da novela, tão presas aos valores que 80% dos Indianos hoje estão abandonando, principalmente devido às oportunidades no mercado, onde podemos destacar a área de informática. Eu trabalho nesta área fazem quase 30 anos, e de uns anos para cá tenho esbarrado sempre com Indianos. Tenho grandes amigos na Índia, com os quais me comunico sempre. Pouco tempo atrás, recebi um convite de casamento de um deles.

Tomei mesmo chá de cultura Indiana (ou “Tchai” se preferirem) , quando fiz um treinamento no Chipre, onde eu era o único não Indiano em meio a 22 deles, como eram a maioria, tudo era feito para eles, inclusive a comida, que me deu uma gastrite que tenho até hoje, pois a comida para o meu gosto e organismo era intragável de tão apimentada. A experiência de mergulho na cultura Indiana no Chipre, foi mais intensa até do que minha visita à própria Índia.

Eles são competentes? Eu diria que sim, mas a competência não é a razão principal do sucesso dos Indianos no mercado de informática, na opinião deste humilde articulista, são os salários. A grande maioria dos Indianos vive em miséria absoluta, o que faz com que os profissionais aceitem qualquer “merreca” para trabalhar, desde que saiam daquela vida, e dão um baita duro para continuar ganhando seu parco salário.

Na novela, o Bhaghavad-Gita é citado em várias situações.

O Bhaghavad Gita foi escrito em Sânscrito, em meados do terceiro século A.C. Os estudiosos dizem que foi escrito por vários autores. Uma parte foi escrito provavelmente por um seguidor da filosofia expressa nos Upanishads, no qual Brahma é a força primordial, que dá unidade ao universo. A outra parte está centrada em uma visão mais pessoal, provavelmente escrita por um devoto do Deus supremo Vishnu.

Baghavad Gita, em Sânscrito, significa “A Canção do Senhor”, e é, outra vez, na minha humilde opinião, um dos mais lindos textos do Hinduísmo. Ele é parte de uma obra que é muito mais extensa, chamada Mahabharata (pronuncia-se Marrab-rrarata), que relata a guerra entre os Pandavas e os Kauravas. Nesta epopéia, Vishnu em sua oitava encarnação (também chamada Avatar), como Krishna, expõe suas doutrinas a Arjuna, herói dos Pandavas, em pleno campo de batalha, onde Arjuna se apresenta como uma alma confusa sobre sua real missão. Krishna então o instrui sobre a ciência da auto-realização. O teor da conversa, contém pontos importantes da filosofia Indiana, incluindo alguma coisa de Brahmanismo e Sankya. Esta obra também é a principal obra do culto Vaishnava, conhecido aqui no ocidente como Hare Krishna difundida por aqui por um guru, chamado Bhaktivedanta Swami Prabhupada (êta nominho complicado).

Dentre as partes mais significativas do livro destaco:

“Entre as estrelas sou a lua… entre os animais selvagens sou o leão… dos peixes eu sou o tubarão…. de todas as criações eu sou o início e também o fim e também o meio… das letras eu sou a letra A… eu sou a morte que tudo devora e o gerador de todas as coisas ainda por existir… sou o jogo de azar dos enganadores…”

Os mais “antigos” como eu, provavelmente se lembram de ter ouvido parte destas afirmações em algum lugar. Na verdade, estas frases inspiraram a música “Gita” de Raul Seixas. Experimentem ouvir a letra da canção, após ter lido este livro.

Embora seja de composição mais recente que o todo do Mahabarata, o Baghavad Gita é um manual religioso, histórico e espiritual, que inspirou vários Hindús famosos, como o mais conhecido deles, Ghandi – O Mahatma (A boa alma). Cita a teoria do Karma, fundamental para nós ocidentais entendermos o Hinduísmo.

O Senhor (Bhagavad) Krishna revela a Arjuna que a essência do Gita é a “visão de todas as coisas em Brahma e é a visão de Brahma em todas as coisas”. Pessoalmente, resumo os principais ensinamentos como:

a)Todos os deveres do mundo se devem realizar, sem visar os frutos da ação.
b)Toda a existência de qualquer ser humano, animal ou planta, visível ou invisível não é mais do que a manifestação de Brahma.
c)Todos os seres vivos têm alma e corpo físico atuando juntos, mas que podem ser separados.

Brahma se manifesta em todas as coisas criadas, e todas as coisas tendem a dissolver-se novamente em Brahma. É o uno que se divide e todas as divisões voltam a ser unas. O incrível é que a física explica isto através da teoria do Big Bang e do Big Crunch. No entanto, o universo visível nos deixa sentir somente uma fração da glória de Vishnu. Há também uma parte oculta de Deus, que se estende bem além do Universo. Outra coisa interessante, a Cabala também explica isto.
Brahma é o pináculo de todas as coisas, as estrelas, planetas e tudo o mais. É também a essência inerente de tudo, incluindo o mal. O Baghavad Gita é a expressão mais alta do Hinduísmo Filosófico.
Um livro sagrado dentro de outro livro.

Os Hindús crêem que, lendo este livro se destrói todo o pecado e se criam todas as virtudes e quando se lê e recita uma estrofe é o suficiente para eliminar o mal do mundo.
No meu site www.ayltondoamaral.com, vou disponibilizar na área de Downloads, uma versão do Gita em Espanhol, escrita pelo Bhaktivedanta Swami Prabhupada, pois de todas as traduções que vi, esta é muito mais próxima do texto original, sem comentários de ninguém, deixando que o nosso próprio senso de livre arbítrio tire as próprias conclusões.

Namastê.

O Pistis Sofia

26 de Julho de 2009

Pistis Sofia 1 - Pistis Sofia 1

Nesta oportunidade, falo do livro Pistis Sophia, que quer dizer “Fé de Sophia”, “Fé da Sabedoria” ou “Sabedoria da Fé”. Um livro bastante conhecido por Cabalistas, Ocultistas e principalmente estudantes do Gnosticismo. A História deste livro, como os outros que já descrevi, também é cheia de aventuras, lendas e estórias fantásticas.

Trata-se de um conjunto de pergaminhos, de origem desconhecida, atribuidos a Valentin Basilides e outros da escola gnóstica de Aexandria. Descoberto em Tebas em 1785, os estudiosos dizem que o documento original era escrito em Grego. Existem atualmente 5 cópias, que são datadas de um período entre 250 e 400 DC.

Uma outra teoria diz que um rabino israelense Jodachay Bilbakh apresentou a seus estudantes um texto chamado “O Evangelho de Pistis Sophia”, que foi traduzido do hebraico e circulou entre os membros da Fraternidade Jessênia no Brasil, em 2001, com comentários baseados principalmente na cabala.

O que diz este livro?

Trata-se de um texto complexo, ocorre no monte das oliveiras em 44 depois da morte de cristo, falando de diálogos do Jesus transfigurado, aos apóstolos (o ano de 44 foi o ano do Exilio de Maria Madalena para o Sul da França). Maria madalena é citada 150 vezes e Pedro 14 vezes. Uma das passagens fala que Jesus diz a Maria Madalena que:

“…teu coração esta mais dirigido ao reino dos céus que todos…”

Existem também muitas reclamações de Pedro sobre esta preferência. Relata também uma grande complexidade de hierarquias angelicais, celestes, ou seja, uma espécie de Organograma do céu. Existem diversas referências a este livro em escritos encontrados em Nag Hamadi (posteriormente escreverei um artigo sobre este local) e no Códice de Berlim. Em um papiro de Nag Hamadi existe um texto do Cristo transfigurado conforme segue:

“Novamente, seus discípulos disseram: Diga-nos claramente como eles desceram das invisibilidades, do imortal para o mundo que morre? O perfeito Salvador disse: O Filho do Homem entendeu-se com Sophia, sua consorte, e revelou uma grande luz andrógina. Seu nome masculino é designado ‘Salvador, progenitor de todas as coisas’. Seu nome feminino é designado ‘Todo-progenitora Sophia’. Alguns a chamam de ‘Pistis’.”

Por volta de 1840, foi feita uma tradução para o latim, e por volta de 1890, foi traduzido para Francês, Inglês e Alemão, mas devemos ter cuidado com estas traduções, pois existem diferenças de uma lingua para outra, seguindo o velho ditado “quem conta um conto aumenta um ponto”.

O Texto é dividido em três partes:

Na primeira, fala de Jesus depois de sua ressureição, quando conversava com seus apóstolos e sua elevação aos céus, em meio a indefectíveis trovões e relâmpagos, com luzes intensas, etc. Menciona que ocorreu na Lua cheia de Thebet, no calendário judaico (mais ou menos no mês de maio, no calendario Gregoriano). Este é um periodo do ano em que, até hoje, os Ocultistas consideram favorável para iniciações e contatos com o astral. Fala de seu retorno, trinta horas depois, “envolto em três vestes de luz”, já iniciado nos altos mistérios celestes onde ele explica de forma bastante complicada, a existência de entidades espirituais de nomes complexos. Numa das passagens ele diz:

, “A partir deste dia, vou falar-vos abertamente, desde o princípio da Verdade até o seu término; e vou falar, face a face, sem parábolas. A partir deste momento não vos esconderei nada do alto e do lugar da Verdade. Pois, autoridade me foi dada, por intermédio do Inefável e do Primeiro Mistério de todos os mistérios, para falar-vos, desde o Princípio até a Plenitude, tanto de dentro para fora como do exterior para o interior. Ouvi, portanto, para que vos possa dizer todas as coisas” .

As outras duas partes narram algumas instruções aos apóstolos, em diálogos, incluindo interpretações de caráter oculto de diversos trechos da bíblia e frases ditas em público por Jesus, e a explicação de alguns de seus mistérios, dentre eles o “Mito de Sofia”, são revelações feitas por Jesus sobre o processo de slavação da alma e a “Libertação do caos”.

Diz o livro que:

“Depois de diversos incidentes com as entidades dos planos inferiores, Jesus encontra Pistis Sophia abaixo do Décimo Terceiro Eon, seu lugar de origem. Ela estava sozinha, sem seu par e seus irmãos, triste e chorosa devido aos tormentos que o Autocentrado lhe havia infligido com a ajuda de suas emanações e dos doze eons”.

Segundo a Wikipedia:

“O mais bem conhecido dos cinco manuscritos da Pistis Sophia está amarrado com um outro texto gnóstico intitulado na encadernação “Piste Sophiea Cotice”. Este “Códice Askew” foi adquirido pelo Museu Britânico em 1795 de um certo Dr. Askew. Até a descoberta da Biblioteca de Nag Hamadi em 1945, o Códice Askew era um dos três códices que continha quase todos os escritos gnósticos que tinham sobrevivido a eliminação dessa literatura tanto no Leste quanto no Oeste, sendo os dois outros códices o Códice Bruce e o Códice de Berlim. A menos dessas fontes, tudo o que foi escrito sobre o Gnosticismo antes da Segunda Guerra Mundial é baseado em cotações, referências e inferências a partir dos escritos Patrísticos, dos inimigos do Gnosticismo, uma fonte nada neutra, onde as crenças gnósticas eram selecionadas para mostrar seus absurdos, seu comportamento bizarro e não ético e sua heresia o ponto de vista do Cristianismo Paulino ortodoxo.O texto proclama que Jesus permaneceu no mundo após a ressurreição por 11 anos e foi capaz nesse tempo de ensinar a seus discípulos até o primeiro (isto é, inicial) nível do mistério. Começa com uma alegoria fazendo um paralelo entre a morte e ressurreição de Jesus e decrevendo a descida e a ascensão da alma. Depois disso, ele prossegue descrevendo figuras importantes na cosmologia gnóstica e então, finalmente, lista 32 desejos carnais que devem ser superados antes que a salvação seja possível, sendo que a superação de todos os 32 constitui a salvação.”

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O Império Khazar e a Décima Terceira Tribo.

12 de Julho de 2009

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É muito interessante o estudo solitário da História. Existe muita coisa que deveria ser ensinada na escola, mas infelizmente, com a educação que temos hoje em nosso país, seria uma utopia. Fiz o meu primeiro e segundo graus e o inicio da minha primeira Faculdade no período ditatorial, onde muita coisa não interessava ser ensinada. Não que isto tenha mudado muito hoje em dia, continuamos sendo manobrados pelos poderes vigentes, segundo seus interesses. No entanto sou um fuçador, adoro fuçar, feito cachorro mesmo, descobrir coisas novas, polêmicas e que nos obriguem a exercitar nossos “Ticos e Tecos”.

Um dos passatempos que mais gosto, é passar longas horas em sebos, fuçando raridades. Às vezes saio da loja abarrotado de velharias que, para minhas pesquisas, se tornam informações valiosíssimas. Em outras ocasiões, saio com as mãos vazias e decepcionado, pois aqueles sebos que realmente vendem raridades, estão acabando, sendo substituídos por aqueles que só possuem livros populares e de grande rotatividade, normalmente coisa de baixa qualidade. Sempre que tenho chance de ir à Buenos Aires, adoro perambular pela República de Santelmo, lá sim, é o meu paraíso, ou conforme dizia o meu falecido pai: “ótimo lugar para quem gosta de velharias”.

Há uns 5 anos atrás, passando pela Augusta, me chamou atenção uma banca na calçada, expondo livros muito antigos. Todos estavam dispostos em pilhas, em cima de um banco comprido, daqueles que eu via muito em minha infância, em casas simples que possuíam mesas grandes, se você sentasse sozinho numa das pontas, arriscaria a virar o banco com o seu peso. Como a Augusta, na maioria de sua extensão é uma subida, o banco estava escorado em baixo de uma de suas pernas por um monte de livros antigos, no intuito de nivelar. Um deles me chamou a atenção. Seu título era “A Décima Terceira Tribo - O Império Khazar e sua Herança” de Arthur Koestler, 1976. Fiquei ardendo de curiosidade, visualizando de antemão, uma excelente linha de pesquisa. Perguntei ao vendedor o preço do livro apontando para o lugar onde o mesmo estava.

Visivelmente contrariado, e vendo que teria um trabalhão para retirar o livro debaixo do banco, o vendedor disse que não estava à venda. O livro estava em péssimo estado, sem as capas e com as páginas manchadas, porém intactas, sem nenhuma faltando. Infelizmente, paguei caro, pois o vendedor embutiu no preço o trabalho que teve para tirar o livro debaixo do banco. Trabalho demorado, tanto pela complexidade (retirar tudo de cima e depois arranjar outro livro velho para colocar no lugar) quanto pela má vontade do vendedor, se perguntado, o porquê, de tantos livros expostos em cima do banco, aparece um maluco querendo justamente uma coisa velha, que por pouco escapou do lixo. Paguei assim mesmo, a ansiedade e a curiosidade era enorme.

O livro tem uns 30 anos, em termos de livros raros, é considerado recente. Depois de fazer algumas pesquisas, vi que existe uma edição de 2005 chamada “OS KHAZARES”. Mesmo assim não me arrependi de ter adquirido o livro, ou o que sobrou dele.

O livro conta a história de um Império chamado Khazar, segundo o autor, era uma grande potência situada na Europa Oriental, na região do Cáucaso, convertendo-se ao Judaísmo em 740 DC. Considerados pelo autor como a terceira potência da época,os Khazarios ou Khazares não tinham uma vida muito sossegada, pois viviam espremidos entre os Muçulmanos e os Bizantinos, que se batiam para dominar o mundo de então. Este império originou-se de um aglomerado de tribos Caucasianas, unidas através de conquistas sucessivas. O Livro destaca um soberano chamado Bulam. Possuíam grande conhecimento tecnológico, dominando técnicas, dentre outras, a fabricação do mais puro vidro, e lapidação de pedras preciosas.

Ao final, foi conquistado por Gengis Khan, sendo completamente destruído. Arthur Koesler diz que várias evidências indicam que alguns Khazarianos conseguiram escapar da matança, indo para a Polônia e se transformaram na corrente Judaica dos Ashkenazim.

Existem basicamente duas correntes Judaicas da diáspora. Os Askhenazim, ou Askenazitas, são o Judeus originados do Norte da Europa, possuindo língua própria, o Idiche, que é, na minha opinião, um alemão modificado e escrito em caracteres hebraicos. Esta corrente é maioria no Brasil. A outra corrente é dos Sepharadis, ou Sefaraditas, são originados da região do Mediterrâneo, com predominância na Espanha e Portugal, seu idioma é o Ladino, um Espanhol modificado. Se alguém ficar curioso, existe uma cantora chamada Fortuna, bem conhecida, que faz shows e canta em ladino, seus CD´s são fáceis de encontrar em lojas especializadas em CD´s, não em supermercados. E existem os mestiços, como no meu caso, com um avô Askhenazim, casado com minha avó Sefaradita, embora haja um componente mineiro de Muriaé, do qual muito me orgulho.

Segundo o autor. “…nos anos de 1960, o número de Sepharadim era estimado em 500.000. Os Ashkenazim, no mesmo período, se contavam na casa dos 11 milhões. Com isso, em termos da concepção comum, um Judeu é praticamente sinônimo de Judeu Ashkenazim….”

A Segunda parte do livro é um estudo bastante detalhado da migração Judaica na Europa, Ásia e América.

Para os fuçadores, este autor publicou mais de 25 livros sobre o assunto, incluindo romances e pesquisas.

Shalom.

Aylton do Amaral www.ayltondoamaral.com

Os Cavaleiros da Ordem do Templo de Salomão.

28 de Junho de 2009

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Muito se tem falado, filmado, especulado e inventado a respeito desta famosa e misteriosa Ordem de Cavalaria.

Lá pelos idos de 1118 / 1119, na Palestina. logo após os Cruzados terem tomado Jerusalém e promovido uma das maiores carnificinas da história. Quando os cruzados conseguiram entrar em Jerusalém, após longo cerco, promoveram uma matança de tal escala, que foi comparada (respeitando as devidas proporções) com a tragédia do Holocausto na segunda guerra mundial.

Certo dia, um fidalgo francês da região de Champagne, pediu uma audiência ao então protetor (rei) da cidade, o Rei Balduíno. Hugo de Payens propôs a criação de uma ordem de cavaleiros, com o objetivo de defender os peregrinos que iam á cidade santa, mas eram assaltados pelo caminho por bandidos. O Rei então concordou, e deu como sede, as ruínas do antigo templo de Salomão, onde os árabes quando estavam dominando a cidade, haviam erguido uma mesquita, só para sacanear os Judeus. Então, para sacanear os Árabes, os Cristãos a estavam usando como estábulo.

Devido á pobreza de sua sede e á falta de recursos, a ordem foi denominada “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”.

Algumas pessoas especulavam sobre a localização dos tesouros do antigo templo, que, segundo a história, teria sido saqueado pelos Romanos, ou enterrados no monte do templo. Como parte integrante deste tesouro, estavam a arca da aliança e as tábuas com os mandamentos, dentre outras relíquias importantíssimas. Sabendo disto, estes cavaleiros começaram a promover escavações neste local e é aí que começam as lendas e estórias fantásticas.

A mais interessante delas é que estes cavaleiros encontraram tesouros e documentos de importância tal, que, ao apresentarem ao papa, foi criada uma bula dando poderes excepcionais a esta ordem, além de diversas regalias, como agradecimento aos serviços prestados.

Outros especulam que os documentos encontrados comprometeriam de tal forma a igreja, que os Templários a chantagearam, ganhando assim benesses e poderes, que a tornaram tão poderosa e ao mesmo tempo, originaram sua ruína.

Especula-se que a invenção do cheque, deu-se a uma prática que passou a ser corriqueira: Antes do peregrino iniciar sua viagem à terra santa, ele procuraria uma das várias preceptorias espalhadas pela Europa medieval, entregava seu dinheiro, ficando assim livre de ser roubado no caminho. Recebia em troca um pergaminho, com dizeres criptografados, e uma senha oral, que ele deveria entregar a uma preceptoria na terra santa, recebendo então seu dinheiro de volta, claro, descontando uma taxa (felizmente, não haviam descobrido o sequestro relâmpago nesta época). Isto fazia com que esta ordem auferisse lucros astronômicos. Além desta fonte de renda, existiam diversas outras: posso incluir os bens que os cavaleiros entregaram quando de sua admissão, as fazendas, os empréstimos dados a reis e papas, etc. Era uma espécie de socialismo, os cavaleiros eram pobres, não podiam ter bens, mas a Ordem era de uma riqueza tal, que podemos comparar hoje às grandes corporações. Sua queda provocou uma grande mudança no mundo de então.

Seja qual for a teoria, o fato é que esta ordem adquiriu tal riqueza, poder e importância no mundo, que não havia rei, papa ou outro dignatário que a pudesse fazer frente. Dentre os Reis que deviam consideráveis quantias, estava o rei da França, Felipe IV, também conhecido como “O Belo”, que possuía poderes um pouco maiores que os outros reis, pois tinha o papa em sua mão. Clemente V, cujo nome como Cardeal era Bertrand de Gôt, tinha sido elevado ao papado com total ajuda de Felipe IV, e ficou devendo diversas obrigações ao rei. Contando com isto, Felipe IV deu início á uma grande operação de desmonte da ordem dos Templários, culminando com a prisão de seu Grão Mestre, Jacques de Molay.

Foram forjadas diversas acusações, começando com heresia, indo até pederastia, adoração ao demônio, etc. Jaques de Molay, o Grão Mestre na ocasião, é queimado na fogueira da inquisição. Diz uma lenda que nos estertores da morte Jaques de Molay diz a seguinte frase, com diversas versões, uma delas diz:

“Intimo o papa Clemente V em quarenta dias e Felipe o Belo em um ano, a comparecerem diante do legítimo e terrível trono de Deus para prestarem conta do sangue que injusta e cruelmente derramaram.”

A lenda continua dizendo que todos os prazos foram cumpridos, ou seja todos os algozes foram mortos dentro dos prazos dados por Molay, seja por ordem divina, ou por ações realizadas pelos Templários remanescentes que escaparam das perseguições.

Após isto diversas ordens surgiram e são tidas por alguns autores como herdeiras dos Templários, das quais podemos citar a Ordem de Cristo, criada em Portugal, e que criou a Escola de Sagres, com o auxílio do Infante Dom Henrique, que era um Grão Mestre desta Ordem, cujo símbolo era a cruz Templária, uma cruz de Malta que foi estampada nas velas das embarcações. Esta escola, usando conhecimento oriundo dos Templários formou diversos navegantes, fazendo que Portugal e Espanha fossem donos de grande parte das terras do mundo.

Dizem que os Templários já conheciam a rota pra o Brasil desde o ano 1300, existem mapas da América datados desta época, inclusive o nome América era de uma estrela que indicava sua direção, chamada “Mérica”. Fazendo com que a historia de Colombo fosse apenas uma invenção para encobrir os fatos reais. Inclusive, o suposto “acidente” de Cabral, foi uma estória forjada para esconder este segredo. A Maçonaria, dizem, se mesclou com os templários e adquiriu suas características e conhecimentos. Os cavaleiros Hospitalários, que além de herdarem conhecimento, ficaram com a maioria dos seus bens. A quantidade de especulações é tão grande que existem livros e livros sobre o assunto, todos eles campeões de vendas.

Aconselho a quem gosta do assunto, os livros do nosso inesquecível e saudoso Zé Rodrix, denominados “A Trilogia do Templo” que darão aos leitores uma Idéia do que ocorreu nesta época, principalmente o último volume, chamado “Esquin de Floyrac”, que conta exatamente o que se passou com os Templários.

Tenham certeza que, o que foi escrito acima, nem sequer conta um décimo do que aconteceu, com suas diversas lendas, interpretações e polêmicas.

TFA
Aylton do Amaral www.ayltondoamaral.com